Crise financeira obriga prefeito a tomar medidas drásticas de redução de gastos

A grave crise financeira que assola as prefeituras de todo o país, principalmente Minas Gerais, tem levado diversas prefeituras a tomarem medidas drásticas de redução de gastos.

Na vizinha cidade de Barbacena, por exemplo, o prefeito Luiz Álvaro Campos decretou ‘estado de emergência financeira’, e entre as medidas tomadas pela Prefeitura para minimizar a crise, estão cortes de despesas e pessoal, suspensão de eventos, e a moratória do município com fornecedores. Situação semelhante acontece em todo o Estado, com centenas de outras prefeituras, que vêm sendo drasticamente penalizadas pela falta de repasses do Governo de Minas.

Em Santos Dumont, o prefeito Carlos Alberto de Azevedo não sancionou decreto de emergência financeira, mas iniciou medidas drásticas de contenção de custos.

Em entrevista exclusiva ao Jornal Mensagem na última segunda-feira, Betinho (foto) informou que a dívida do Governo de Minas com o município, que hoje está em cerca de R$ 8 milhões, vem inviabilizando diversos projetos de sua administração, e que medidas amargas se tornam necessárias devido à escassez de recursos. “Não era minha intenção reduzir o atendimento à população, mas como o Governo de Minas não paga o que nos deve, preciso tomar providências”, disse o prefeito.

Entre as medidas anunciadas estão: a proibição de início de novas obras, suspensão de compras e investimentos, demissão de funcionários contratados e redução de cerca de 40 cargos de confiança. Segundo o prefeito, com a queda de arrecadação, o índice da folha subiu muito, obrigando a uma imediata redução para que ele não incida em crime de responsabilidade fiscal.

Prioridades

Betinho afirmou que as prioridades no momento são a manutenção do pagamento da folha dos servidores e o repasse para o Hospital de Misericórdia, já que ele teme que sem esse repasse, a população perca seu único ponto de atendimento hospitalar e de urgências e emergências.

A equipe da administração municipal vem fazendo uma verdadeira ginástica financeira para quitar a folha de pagamento dos servidores, mas a cada dias as dificuldades aumentam.

Mudanças

As medidas que já começaram a ser tomadas pelo prefeito atingem inclusive o primeiro escalão da Prefeitura, onde alguns secretários serão substituídos por funcionários de carreira, com o objetivo de reduzir os gastos da folha de pagamento.

Já estavam decididas mudanças nas secretarias de Finanças, e de Obras e Serviços Públicos, mas Betinho não descartou outras mudanças em breve.

Compreensão

O chefe do Executivo afirmou que espera que a população compreenda o momento de crise dos municípios, garantindo que se pudesse não reduziria em nada os atendimentos à população e os investimentos em obras pela cidade. “Não estamos fazendo porque queremos, mas sim porque precisamos. Esperamos que em breve a situação se normalize e a gente volte a ter dinheiro para investir”.

Recursos Extras

Está programada para o mês de novembro a licitação, entre os bancos, da folha de pagamento da Prefeitura. O preço mínimo é de cerca de 1,3 milhão, dinheiro que ajudará a oxigenar o caixa da Prefeitura. Além disso, o município conta com o repasse extra de 1% do FPM (Fundo de Participação dos Municípios) que acontece anualmente no final de cada exercício, o que garantirá o pagamento do restante do 13º salários dos servidores (metade foi quitada no meio do ano).

Redação