Escultor Pedro César recupera estátua de Alberto Santos Dumont

A sociedade sandumonense teve na tarde do dia 21 passado muitos motivos para comemorar, sendo o mais importante o reparo da estátua do inventor Alberto Santos Dumont. O escultor responsável pela obra, Pedro César Almeida Santos, esteve na cidade com o intuito de recuperar a peça danificada. O reparo foi feito no Centro Cultural Paulo de Paula e todas as pessoas que apreciam a obra tiveram momentos aprazíveis com o retorno da estátua a seu lugar de destaque na Praça Cesário Alvim.

O JM conversou com algumas personalidades que emitiram opiniões sobre o ocorrido:

Ana Maria

JM – Como você vê esse ato contra o patrimônio?

“Hoje estamos recuperando essa imagem que foi danificada num ato de vandalismo. Uma pessoa de sã consciência, comprometida com a história não faria isso. A importância desta estátua para o patrimônio do município é que ela veio integrar um patrimônio que é a Praça Cesário Alvim. Um bem tombado e que tem esse nome em virtude da emancipação do município em 1890, por meio de Cesário Alvim. Essa estátua veio integrar a praça, pois é um bem integrado. A gente ficou muito triste, mas rapidamente foi contatado o artista que a recuperou. Ela não é importante só para a história de nós sandumonenses, mas muitos turistas que aqui chegam fazem questão de tirar uma foto com a estátua. Ela foi colocada aqui com o final da obras da Rota 14 bis, com a reforma da praça. Desde então ela é uma referência no município, mas infelizmente esse ato aconteceu. Temos que levar em conta que também é feito um trabalho de educação patrimonial nas escolas municipais e estaduais e a gente procura conscientizar as crianças a respeito da memória, acerca da história e a importância do patrimônio. Não é uma história individual, é uma história coletiva. Então a população se torna uma guardiã. Nós contamos com a participação da população, daquele que vê que está acontecendo alguma coisa, danificando um bem, que comunique as autoridades para que isso não aconteça”, disse Ana Maria, chefe do Patrimônio Cultural da cidade.

José Geraldo

JM – Como a administração pública vê essa situação do vandalismo e o que será feito daqui por diante?

“Com muito prazer informo à sua reportagem sobre a estátua que foi danificada recentemente. Tão logo ficamos sabendo desta danificação do bem público, desta banalização, quem fez isso não foi com o intuito de roubar, mas só de danificar o patrimônio no ato de vandalismo. Tão logo fomos informados nós entramos em contato imediatamente com a secretária de Turismo, senhora Luciana, ela entrou em contato com o artista que estava em São Paulo. O valor gasto foi de aproximadamente foi de R$ 4.300,00, para o reparo da estátua, com deslocamento e material. Ficou muito bom, nós gostamos e nós estamos aqui para reinaugurar a nova estátua. Agora nós vamos tomar providências futuramente. A primeira providência que vamos tomar é iluminar a praça, pois até o momento ela está muito escura. Vamos substituir a iluminar mais a praça e vai ficar mais fácil para a polícia vigiar. Mas solicitamos à população, à pessoa que fez isso, ou outras pessoas que tiverem a mesma intenção, que não façam isso. É uma destruição do patrimônio público. Isso atrapalha o município, é uma estátua tão bonita, onde todos tiram retrato junto a ela. A estátua realmente embeleza a cidade. Temos que trabalhar para a manutenção desta estátua”, declaração José Geraldo de Almeida, secretário de Administração do governo do prefeito Carlos Alberto de Azevedo (Betinho).

Mônica Castelo Branco

JM – Qual sua percepção deste vandalismo contra esse importante patrimônio da cidade?

“É preciso fazer com que o sandumonense tenha amor à sua história. Os sandumonenses são muitos, alguém viu isso acontecer. Então o que nós temos a fazer é conscientizar o povo de Santos Dumont para que ele tenha amor à sua história. É uma história que não é só sandumonense, é uma história internacional. Ela é mais do que sandumonense, mas do que brasileira. Então isso que nós temos de história é uma vitória para nós, então vamos aprender a gostar disso e tomar conta desta história e fazê-la crescer”, afirmou Mônica Castelo Branco Henriques, curadora patrimonial da Fundação Casa de Cabangu.

Pedro César

JM – Como foi possível aos vândalos provocarem danos à sua obra?

“Os vândalos soltaram dois parafusos que tinha na parte de baixo, e como o braço da estátua não estava parafusado no lugar porque não havia necessidade, eles usaram o braço como se fosse uma alavanca, e o pé que ficava chumbado ao chão estava firme, então ao fazer o movimento contrário, eles conseguiram rasgar o metal. Foi isso que aconteceu”.

JM – Que sentimento fica neste ato?

“Todo mundo percebeu que esse monumento aqui faz parte da história da cidade. Agora tem que se conservar, usar isso aí para Santos Dumont crescer ao invés de estar regredindo. Para que Santos Dumont possa estar obtendo ganhos financeiros, até mesmo melhorando o turismo. Eu agora acredito que o pessoal viu que esta estátua faz parte da história da cidade, e com todo esse reboliço que deu tem que procurar criar incentivos culturais, valorizando e fazendo o desenvolvimento, dando condições para que o turismo venha pra cá. Perceberam agora que realmente isso faz falta para a cidade”, disse Pedro César Almeida Santos, que é o escultor cuja obra foi vandalizada e por fim recuperada por seu criador.

Gerson Guedes

JM – Qual a importância desta estátua para o município?

“A importância deste monumento é que ele é um marco. Todas as pessoas que vêem a Santos Dumont, normalmente tem o prazer em tirar uma foto com a estátua do inventor. É um marco da cidade, e está sendo dado uma resposta do poder público em recuperar a obra. Devemos fazer um apelo à população para que se preserve a história do inventor. Acho importante isso”, afirmou Gerson Guedes Rabello, vice-prefeito.

Tiago Guimarães

JM – Do ponto de vista do turismo, como você vê a atual situação?

“Uma figura ilustre como Alberto Santos Dumont na Praça Cesário Alvim, nada mais justo do que ter uma estátua. Essa estátua foi colocada durante a administração do então prefeito Evandro e foi danificada nesta administração. Poderia ter sido danificada daqui a 10 anos, poderia ter sido danificada no primeiro mês, mas foi danificada essa semana. O que tiramos de lição deste incidente é que nada acontece por acaso. O que aconteceu hoje mostra como refletir e educar as pessoas a valorizar o patrimônio. Pois temos aqui vários patrimônios e amanhã pode ser a fachada da Prefeitura, pode ser a fachada de uma biblioteca, o prédio da Cemig ou do Centro Cultural. Então, sobre esse aspecto, não podemos apenas reformar ou construir produtos, nós temos é que educar as pessoas”, afirmou Tiago Guimarães, chefe da Divisão de Turismo da Prefeitura Municipal.