Museu Cabangu, várias promessas e muito abandono

Diante de tudo que aconteceu ao Museu Nacional no Rio de Janeiro, constatamos que não estamos imunes e que o mesmo pode ocorrer ao nosso Museu de Cabangu. Isso é o que podemos constatar diante do desprezo, falta de compromisso e de verbas para preservação de importantes acervos históricos no país, verbas estas que continuam minguando. Tão logo o trágico incêndio que destruiu o Museu Nacional com todo o seu importante e insubstituível acervo histórico do Brasil, os sandumonenses voltaram seus olhos para o importante acervo pertencente à Fundação Casa de Cabangu, que é um orgulho para a cidade de Santos Dumont. Esse importante material, que conta toda a trajetória do inventor Alberto Santos Dumont no país e na França, não conta hoje com local adequado para sua preservação e exposição ao público.

Infelizmente, ao se chegar à Fazenda Cabangu, todos os turistas se deparam com o abandono na sede da fazenda e seu entorno. O mato cresceu, os imóveis apresentam uma grave degradação por conta da ação de cupins e do tempo. A administração do local é feita pela Fundação Casa de Cabangu, que sem recursos, pouco ou nada consegue fazer. A administração do local é compartilhada com a Prefeitura Municipal, responsável em subvencionar o museu, e com a EPCAR, que zela pela segurança e conservação do local.

Em conversa com o presidente da Fundação Casa de Cabangu, Thomás Castelo Branco, ele nos fez um breve relato da situação do museu a das dificuldades vividas pela instituição

Indagado sobre Cabangu, Thomás fez menção da responsabilidade da Fundação, que é tutora do patrimônio cultural do inventor Alberto Santos Dumont, trabalho esse desempenhado por sua família há 70 anos.

“A situação nossa no Museu de Cabangu é a mesma das entidades que cuidam da cultura no Brasil. Falta de apoio oficial. O Museu funciona da seguinte forma: a Fundação administra e toma conta do acervo, a EPCAR toma conta do parque, e se não fosse ela já tinham roubado tudo o que está lá. Dá também apoio na manutenção do parque, ou seja, com a capina, que era feita quatro vezes por ano e que dava para sustentar. Mas hoje em dia eles estão sem condições de fazer uma capina no final do ano, período em que o capim cresce muito. Vão fazer uma capina para o dia 23 de outubro, vai ficar tudo limpinho. Depois só farão em março. Recebemos da Prefeitura subsídios para pagar funcionários que trabalham no museu e no momento nós não temos recebido essa verba. A EPCAR está com dificuldades de fazer as quatro capinas, tem feito apenas três, o que não é suficiente. No período que o mato mais cresce, que é de outubro a janeiro, deveríamos ter uma capina neste meio tempo, como tinha antigamente. E não estão tendo condições de fazer mais isso. A Prefeitura não está tendo condições de repassar recursos para ajudar o museu. Então, para se ter uma ideia, o contrato que foi feito em maio de 2018, que previa oito repasses para a Fundação que fariam frente a quatro salários, só um repasse foi feito”.

Diante de uma situação caótica como a que é encontrada, resta-nos saber quando é que as autoridades assumirão a suas responsabilidades, pois sem valorizar o que lá existe, certamente tudo poderá acabar.

PROMESSAS

A população não pode esquecer que na Semana da Asa de 2015, em visita a Cabangu, tanto o governador Fernando Pimentel quanto ao então ministro da Defesa Aldo Rebelo foram informados pelo ex-prefeito Bebeto Faria sobre a importância do acervo do museu. Bebeto solicitou às duas importantes autoridades para que liberassem recursos para a preservação do museu. Em discursos, cada uma das partes citadas se comprometeram a acolher o pedido, e diante de todos, se prontificaram em ajudar. Infelizmente, tanto as promessas quanto os bonitos discursos acabaram não tendo efeito.

EDITAL

Na última semana o Governo Federal anunciou que o BNDES lançará um edital ofertando 25 milhões de reais para serem investidos em obras de recuperação e preservação de museus brasileiros, e diante da comoção que tomou conta do país, esse seria o momento dos responsáveis pelo museu se unirem e credenciarem o Museu de Cabangu para receberem parte deste recurso. Uma gestão profissional em busca deste recurso dificilmente não obterá êxito diante da grande importância que esse museu tem para a história de nosso país e para o mundo.

Thomás Castelo Branco – presidente da Fundação Casa de Cabangu, comenta ao JM a atual situação do museu.

Fotos: WhatsApp e Gilberto Freire